terça-feira, 27 de novembro de 2007

No Centro, a ordem é intervir

CADERNO 2
27/11/2007
No Centro, a ordem é intervir

Marcelo Pereira

As exposições que abrem hoje na Cidade Alta, em Vitória, têm em comum a idéia da intervenção. Enquanto "Transbordo", de Rodrigo Rosa, dá uma nova roupagem às paredes da Galeria Homero Massena, a exposição "Descobrindo as Ilhas da Pólvora", de Marcus Vinícius, na Galeria de Arte Virgínia Tamanini, capta um novo significado para as ruínas de um hospital.

O mineiro Rodrigo Rosa, 40 anos, que morou em Brasília e que há oito meses se encanta com o mar em Vitória levou um pouco desse impacto marítimo para o seu projeto. "As paredes serão pintadas de preto com um desenho de curvas em destaque. É a minha abordagem para a idéia desse fluxo e o deslocamento de pessoas e objetos que a cidade me provoca", observa.

O trabalho do artista é feito com grafite e tinta acrílica. A preocupação com o espaço foi tomando conta de seu projeto artístico desde 1996. "Acho que o espaço também deve estar envolvido no raciocínio e na questão estética dos artistas", acredita.

Pensamento que o artista Marcus Vinícius, 22, leva ao extremo. Ele não se contenta em usar um material para fazer sua arte e intervir no meio em que ocupa. Vai além: usa o próprio corpo nessa operação. O artista explorou as ruínas do Hospital Oswaldo Monteiro, na Ilha da Pólvora, na baía de Vitória, de um jeito nada ortodoxo. Ele queimou pólvora nas dependências do prédio desativado. Detalhe: estava nu enquanto fazia isso.

A intervenção (e também performance) foi registrada em vídeo e em fotos. Ele aproveita o desenho criado pela combustão do explosivo (algo que faz desde 2005) e insere o local nesse projeto artístico. "Começando pelo nome da ilha, que é o mesmo do material que utilizo. Na combustão, a matéria se volatiliza, desaparece no ar. No passado, na Ilha da Pólvora, as pessoas de uma certa forma também desapareciam para a sociedade.
Como era um lugar que tratava de doentes de tuberculose e hanseníase, elas eram estigmatizadas e não se esperava que de lá voltassem", relembra. O corpo desnudo é uma referência à carne que ali chegava maltratada e ardia em febre.

Confira

Descobrindo as Ilhas da Pólvora. Obras e registro de intervenções de Marcus Vinícius. Curadoria de Ricardo Maurício. Abertura hoje, às 19h. Visitação de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h. Galeria de Arte Virgínia Tamanini, Praça João Clímaco, 54, Cidade Alta, Vitória. (27) (27) 3223-9596. Até 21 de dezembro.

Transbordo. Intervenção de Rodrigo Rosa. Abertura hoje, às 20h. Visitação de segunda a sexta, das 10h às 18h. Quarta, das 10h às 21h. Sábado e domingo, das 13h30 às 18h. Galeria Homero Massena, Rua Pedro Palácios, 99, Cidade Alta, Centro, Vitória. (27) 3132-8395. Até 31 de dezembro.

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