"Há um quadro de Klee chamado Angelus Novus. Representa um anjo que parece a ponto de afastar-se para longe daquilo a que está olhando fixamente. Seus olhos estão arregalados, sua boca aberta, suas asas estendidas. O anjo da história deve ter este aspecto. Seu rosto está voltado para o passado. Onde diante de nós aparece um encadeamento de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que vai empilhando incessantemente escombros sobre escombros, lançando-os diante de seus pés. O anjo bem que gostaria de se deter, despertar os mortos e recompor o que foi feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso e se prende em suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar. A tempestade irresistivelmente o impele ao futuro, para o qual ele dá as costas, enquanto o monte de escombros cresce até o céu diante dele. O que chamamos de Progresso é esta tempestade." W. Benjamim.
Benjamim aposou com convicção nas vanguardas artísticas do início do século, que por sua vez apostaram pesado na vitória da racionalidade, do maquinismo, da transformação da sociedade num gigantesco autômato auto-regulado, em que a arte, a técnica e a vida se fundiriam numa unidade revitalizadora. (...) Assim ele concluiu seu ensaio O Surrealismo, o mais recente instantâneo da inteligência européia:
Nesse momento são os surrealistas os únicos a compreender as exigências do Manifeto (Comunista) correspondentes aos dias de hoje. E oferecem, cada um deles, a sua mímica em troca de um despertador que toca sessenta segundos em cada minuto que passa.
Atentemos agora para esse anjo que figura impotente no quadro de Klee. Por que chamá-lo de “Ângelus Novus”? Os anjos não são novos, são intemporais como o próprio Deus de que são emanação. Os anjos também não têm vontade própria, sobretudo após a lição exemplar aplicada a Lúcifer. Eles são governados pelo próprio desígnio divino e por isso mesmo a natureza ou as forças do mundo celeste jamais atuam contra eles. Portanto se a tempestade letal do progresso, que vem do paraíso, decorreu da vontade de Deus, esse anjo não mais obedece, mas resiste aos propósitos do Supremo. O anjo da história é assim um anjo decaído e sua rebeldia o tornou impotente para auxiliar os vencidos, mortos e humilhados. Não estando mais sintonizado com o poder, ele próprio está condenado a ser um vencido e um enxovalhado. Sua natureza de ser destinado à vida eterna o submete ao castigo de assistir paralizado, ele cuja missão precípua é agir e salvar, à destruição do mundo e à degradação de si mesmo.
Não deve haver dúvida, quanto ao sentido desta metáfora: o “Ângelus Novus” representa a própria condição do artista e do intelectual depois que o sonho modernista perdeu a sua inocência. A expressão “novo” justifica-se assim pela mudança de perspectiva desses criadores aturdidos. Eles já não voam na mesma direção do vento do progresso. Já não gozam do privilégio de se fundirem com a fonte única de todo poder, de toda vontade e de toda justiça. Não estão mais voltados para o infinito radiante do futuro e sim para a tragédia impronunciável do passado. Não acreditam mais no absoluto, nem se deixam levar por suas falsas promessas. Estão sós, reduzidos aos limites estreitos de sua fraqueza, seu horror e sua fúria. Essa é a condição do novo que se manifesta após a modernidade.
Uma última ressalva importante: o movimento modernista nunca foi homogêneo. Do Futurismo ao Dada medeiam as distâncias que vão de um discurso colado à arregimentação fascista `a denúncia visceral de qualquer engajamento. Da mesma forma não há qualquer unidade dentre as experiências artísticas e filosóficas que tem sido postas sob a legenda do pós-modernismo. Aliás, não há sequer acordo sobre o significado desse termo. Os americanos em geral o consideram como uma mera correspondência na área cultural do advento da tecnologia pós-industrial, baseada nos recursos da cibernética e informática. Outros autores o entendem como uma crítica voltada à negação total das vanguardas, que exalta o período anterior ao modernismo e se inclina para um retorno às fontes da história e ao passado. Outros ainda o denunciam como uma mera pasteurização dos cacoetes das vanguardas, sem vitalidade e sem compromissos. Concepções todas essas de fundo reacionário e que esvaziam o sentido crítico profundo do movimento, como uma proposta de práticas culturais alternativas, hoje em dia na Europa altamente identificadas com o pacifismo, a ecologia, o feminismo, os movimentos de liberação sexual e manifestações afins. Há autores que adotam esses princípios espúrios e se autoproclamam pós-modernistas. Há latências passíveis de discussão como os riscos do esteticismo hermético de Aldo Rossi, ou da fetichização do passado em Palladio, por exemplo, pra só falarmos da arquitetura. Há o monumentalismo autoritário e a sedução comprometedora pela técnica de Philip Johnson e dos autores do edifício do Centro Pompidou. O pós-moderno sem dúvida traz ambigüidades – aliás é feito delas e deve ser criticado e superado. É isso que ele propõe: a prudência como método, a ironia como crítica, o fragmento com base e o descontínuo como limite.
LIVRO:
PÓS-MODERNIDADE
Roberto Cardoso de Oliveira
Nicolau Sevcenko
Jair Ferreira dos Santos
Nelson Brissac Peixoto
Maria Celeste Olalquiaga
Editora da Universidade Federal de Campinas Unicamp – Campinas,Sp – 1995
PÓS-MODERNIDADE
Roberto Cardoso de Oliveira
Nicolau Sevcenko
Jair Ferreira dos Santos
Nelson Brissac Peixoto
Maria Celeste Olalquiaga
Editora da Universidade Federal de Campinas Unicamp – Campinas,Sp – 1995
Comente o que foram as vanguardas européias e qual o significado do quadro "Angelus Novus" de Paul Klee para Walter Benjamim.

46 comentários:
As vanguardas européias foram movimentos de aceitação ou negação a determinadas mudanças ocorridas no final do século XIX e início do século XX. Essas mudanças resultaram num transtorno psicológico dos artistas, caracteristicamente mais sensíveis às transformações do que as pessoas “normais”. Esse transtorno fez com que alguns se sentissem comprimidos e oprimidos pelo caos da modernidade, e outros se sentiram atraídos pelas novidades envolvendo velocidade, explosões e efeitos dinâmicos. Todos esses sintomas refletiram nas obras (que são frutos de sensações), provocando rupturas com os academicismos correntes, totalmente tranqüilos e técnicos (antes da modernização nas cidades européias). Daí o termo vanguarda, que significa o que chega à frente.
O quadro “Ângelus Novus” de Paul Klee é um exemplo dessa ruptura tanto em termos de técnica (ou ausência), quanto em termos de conteúdo. A obra mostra um anjo paralisado, impotente e assustado com algo que ele está presenciando. Para Walter Benjamim esta imagem representa a essência do desespero dos artistas do início do século passado frente à modernidade. Um anjo que tem o poder de proteger e salvar, figura como o mais necessitado de proteção e salvação, porém ele não pode fazer nada para se ajudar ou ajudar o restante da população, que em posição inferior, deve se encontrar numa situação pior. A impotência do anjo provém da sua desilusão perante o progresso, causa de sua paralisia. Mas esse progresso é desígnio de Deus, então o anjo se põe desobediente ao seu Senhor, perdendo sua força e recebe como castigo assistir, inerte, a destruição do mundo por toda eternidade. Ângelus Novus, ou anjo novo, não é uma expressão temporal, visto que anjos não têm idade. Esse novo anjo demonstra uma mudança de comportamento. É um anjo que se porta de maneira diferente do que contam as histórias. É um anjo temeroso; que teme a vida, o progresso e a Deus. O novo é a condição que agora rege os sentimentos do artista desiludido e descrente.
Essas foram as associações feitas por Benjamim analisando o contexto e anseios dos artistas da época. Parece coerente em seus argumentos, mas um pouco fantasioso ao dizer que a tempestade (progresso) que prende o anjo vem do paraíso. Esse paraíso é falso, e o anjo como representação do artista de vanguarda não deve mesmo se submeter às suas imposições e trair os ideais de restauração da vida antiga, pelo simples fato de achar que as mudanças são divinas. Parece o discurso absolutista da predestinação. Porque Deus quis deve ser feito...
Se Deus quis, ninguém sabe.
O mundo, em especial a Europa, conheceu um grande avanço científico e tecnológico ao final do século XIX. Todo esse processo, em um primeiro momento, deu origem ao Naturalismo.É o início da era da velocidade, da pressa e da imagem. As conquistas e inventos davam ao homem a doce ilusão de que ele já havia enfrentado seus grandes problemas e que agora seria o momento de desfrutar de suas conquistas.No campo artístico, o Naturalismo foi a escola que trouxe para a arte o racionalismo, o cientificismo. Para os naturalistas, a arte deveria ser uma extensão da ciência. Os naturalistas pregavam a ARTE PELA ARTE, ou seja, tinham preocupação apenas com a forma, dispensando o conteúdo. Por outro lado, o Simbolismo pregava a redescoberta do eu-poético.As vanguardas artpisticas Européias se caracterizam pelo desejo de destruição do passado e pela visão crítica do presente. Vários desses movimentos de vanguarda apareceram, dos quais se destacam: futurismo, expressionismo, cubismo, dadaísmo e surrealismo.
"Há um quadro de Klee intitulado "Angelus Novus". Representa um anjo que parece prepara-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da História deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de factos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma única catástrofe, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés. Ele gostaria de parar, para acordar os mortos e reconstituir, a partir dos seus fragmentos, aquilo que foi destruido. Mas do paraíso sopra um vendaval que se enrodilha nas suas asas, e que é tão forte que o anjo já as não consegue fechar. Este vendaval arrasta-o imparavelmente para o futuro, a que ele volta as costas, enquanto o monte de ruínas à sua frente cresce até ao céu. Aquilo a que chamamos o progresso é este vendaval."
O anjo (que pra mim mais parece um leão) consegue traduzir algumas das idéias vanguardistas, quando se dis que "Este vendaval arrasta-o imparavelmente para o futuro, a que ele volta as costas". Assim como no movimento das vanguardas, eles queriam inovar, não pegar coisas do passado para se ter como influência.
O anjo, sinônimo de coragem, salvação e bondade fica paralisado e tendo de assistir à destruição do mundo e de si mesmo, pois está condenado a ser um vencido.
Seu olhar remete a uma visão para o passado, como se ele pudesse ver o passado e não pudesse voltar para modificá-lo, pois está indo para o futuro.
As Vanguardas Européias foram movimentos artísticos do final do século XIX e início do século XX. Inseridas num contexto de intensas transformações, retratam a nova forma do homem de “enxergar” o mundo.
Tais transformações se evidenciam nos aspectos político, econômico e social. A Revolução Industrial impulsiona o desenvolvimento de novas tecnologias, e procura sempre atender às necessidades da velocidade e do dinamismo. Além disso, a tecnologia provém de um período de guerras que choca o mundo.
Dentro desse quadro de inúmeras mudanças, surgem as Vanguardas Européias, impregnadas de utopias e rupturas na criação artística. Retratam, por exemplo, o horror da guerra e a velocidade do automóvel. Sob uma visão individualizada, negam o passado, e, às vezes, através de pinceladas rápidas e sem contorno, denunciam tanto o real como o irreal.
Segundo Walter Benjamim, em Angelus Novus, de Paul Klee, as feições do anjo denunciam sua bestificação diante do mundo. Na tela vê-se um modelo de anjo completamente diferente daquele que se pensa, observando-se principalmente seus olhos arregalados em vez de um rosto sereno.
Levando-se em consideração as idéias das Vanguardas Européias e visualizando a tela Angelus Novus, pode-se concluir que Paul Klee quis denunciar que até mesmo os anjos, modelos de sensibilidade e mansidão, estavam assustados diante da nova identidade que o mundo assumia.
As vanguardas européias ocorreram no final do século XIX e início do século XX e tiveram como característica a contestação de mudanças pelas quais o mundo passava, principalmente tecnológicas, e a oposição às tendências vigentes.
As vanguardas foram formadas de vários movimentos artísticos que podem ser estudados separadamente, porém, nunca fora dum contexto comum. Alguns desse movimentos, foram: o futurismo, o cubismo, o dadaismo, o expressionismo, etc...
Walter Benjamim vê no quadro Ângelus Novus, de Paul Klee, uma representação das características vanguardistas, visto que coloca o "vento" (progresso) como algo que o impede de voltar para o "passado", e cumprir seus desejos: parar, reviver os mortos e reconstruir.
Benjamim examina o anjo como estando de olhos arregalados e sem movimentos diante dos acontecimentos e mais propriamente, do progresso.
Toda e qualquer definição do quadro conterá inverdades, visto que a intenção das obras vanguardistas não era transmitir uma mensagem propriamente dita, e sim em expressar a arte pura e simplismente arte!
De maneira sucinta, digo que as vanguardas européias foram movimentos que pretendiam deslocar os conceitos artísticos para o futuro. No sentido próprio da palavra, vanguarda significa “Guarda Avante”. Disto, pode-se tirar a primeira interpretação mencionada, bem como a idéia de que o Impressionismo, Dadaísmo, Futurismo, etc. seriam movimentos que impulsionariam a arte. Seriam os primeiros movimentos artísticos a chegar ao novo tempo. Analisando o histórico da época, destacamos guerras e revoluções, verdadeiros divisores de água na história da humanidade. As vanguardas, então, estariam acompanhando o processo, pretendendo lidera-lo por meio de manifestações artísticas.
Para W. Benjamim, “Angelus Novus”, pode ter um duplo significado. Tradicionalmente, e isto vem desde a concepção do cristianismo, os anjos eram retratados como seres de traços leves, expressões serenas e seguros de si. No entanto Paul Klee retrata um anjo antagônico. Com traços esdrúxulos, expressão bestializada (talvez aí caiba a referência ao leão – pois ele parece um leão), e com uma expressão duvidosa. Walter pode ter associado Angelus ao movimento vanguardista, tendo comentado sobre a aparência pouco confortável do anjo quanto aos atos presentes, como se quisesse voltar ao passado, mas não pode pois o tempo o carrega para o futuro. Por outro lado, Walter pode ter visto na obra de Paul um anjo “real”, não idealizado. Viu da mesma maneira esdrúxula e bestializada, porém não o incomodou o fato de Angelus não ter o estereótipo de “anjo ideal”. Paul talvez, intencionalmente, com suas idéias de vanguarda, quis nos dizer apenas: “Um anjo também tem os seus traços de humanidade”. E Walter pode ter entendido assim.
Na Europa, no final do século XIX, mudanças sociais começavam a surgir. A tecnologia aparecia, a velocidade era conhecida e buscada.
Com tudo isso acontecendo a sua volta, a arte não poderia deixar de se adaptar à nova situação. Surgem, então, as vanguardas européias que buscam, cada uma a seu modo, transportar para a arte essas mudanças e seus efeitos.
Umas retomavam ao passado, à cultura clássica(grega e romana), outras repudiavam tudo que era velho. Ainda tinham aquelas que buscavam inovar, davam valor as formas geométricas, ou as preferiam o "no sense".
Desde o final da década de 70 que não surge outro movimento inovador nas Artes. O que se vê agora é o uso esporádico de técnicas, pensamentos e ideias vanguardistas.
O anjo de Paul Klee foge do ideal de anjo que se têm desde sempre. Seus olhos esbugalhados, boca aberta e olhar fixo, remetem a qualquer outro sentimento que não calma, tranquilidade e serenidade. Sentimentos esses sempre retratados nas pinturas e esculturas. O "Ângelus Novus" está assustado com o mundo em sua volta. Com o caos que se instalou e e é ele quem agora precisa de proteção.
O paraíso a que ele estava acostumado a viver já não existe mais. É preciso encontrar a salvação e redenção para a vida que há a sua volta.
Entendemos como vanguarda aquilo que "está à frente”. Na Europa não houve uma arte moderna uniforme. Houve, sim um conjunto de tendências artísticas – muitas vezes vindas de outros países- com propostas específicas.
O aparecimento desses movimentos artísticos deveu-se às grandes transformações econômicas, sócio-políticas e culturais que aconteciam por lá, tais movimentos ficaram conhecidos como as Vanguardas Européias (dentre as que mais de destacam: Cubismo, Dadaísmo, Futurismo e Surrealismo) que, de modo geral, representaram uma crítica às opressões causadas ao homem pela civilização industrial.
Essas vanguardas procuraram acompanhar a mudança do mundo trazendo para as manifestações artísticas a agitação da vida moderna, combatendo o racionalismo e o objetivismo das teorias científicas do Realismo / Naturalismo / Parnasianismo e pregando o irracionalismo. Com isso buscavam sempre uma compreensão mais subjetiva do homem, voltada mais para o seu interior do que para seu exterior. As vanguardas se caracterizam pelo desejo de destruição do passado e pela visão crítica do presente.
“Ângelus Novus” de Paul Klee, quebra com todas as características de representação de um anjo segundo as tradições impostas pelo cristianismo e até hoje impregnadas em nossa cultura, que antes eram representados com traços leves e harmônicos que nos remetiam à lembrança de paz, serenidade e doçura. A visão que temos deste “Novo Anjo” nada mais é do que algo parecido com um animal ou uma figura não identificada com formas não definidas. Walter Benjamin vê nessa obra de Klee características vanguardistas, quando o anjo está de olhos arregalados surpreso e bestificado com os novos acontecimentos, supondo que o anjo pode representar o artista explodindo para a frente mas com certo medo por não saber sua direção.
O “novo anjo” demonstra a realidade vivenciada por alguns artistas ao se depararem com a modernidade representando real vontade de quebrar com o velho e mostrar o novo.
Ao final do século XIX, as academias que valorizaram os modelos artísticos desde o Renascimento passaram a ser questionadas. Os impressionistas e Pós-Impressionistas se destacaram nas rupturas desses modelos, abrindo caminho para a arte moderna e para os artistas intitulados vanguardistas. O termo “vanguarda” expressa algo que vem à frente. Nesse caso, à frente do seu tempo, chegando até a ser aplicado a qualquer movimento que se oponha às tendências vigentes e procure uma nova visão da arte. Assim sendo, as manifestações artísticas podem ser listadas: Temos o Futurismo, que abomina o passado, exalta a guerra e o patriotismo e dá ênfase à velocidade e à energia; o Cubismo – que tem sua origem em pinturas de Pablo Picasso –, com uma nova apresentação do real, imagens em vários ângulos e intenso uso da fragmentação e geometrização; o Dadaísmo, que não se preocupa com a lógica, mas sim em avacalhar com a arte, utilizando recursos como o ready-made (o já feito) e propondo revolução artística; o Surrealismo, que se assemelha ao Dadaísmo por ter a destruição como etapa e que se baseia na junção de imaginação e razão; e por fim o Expressionismo, o movimento em que se destacam as cores, a subjetividade e a distorção em função da visão subjetiva.
O quadro “Angelus Novus” significa, para Walter Benjamim, a representação de um anjo que presenciou a história da humanidade, que esteve sempre ali, assistindo às atrocidades da raça humana e que não pôde fazer nada para mudar o mundo que se destruía à sua volta. O anjo, cuja expressão atônita nos passa a impotência que sente, também transparece passividade. Ele deseja fugir, mas é levado a presenciar e a ver tudo se acumular, e mesmo contra vontade, a força do Progresso o leva ao futuro. Um futuro no qual ele não deposita esperanças.
O termo Vanguarda, do francês "Avant Garde", denota projeção: os que se diziam vanguardistas projetavam-se ao futuro nebuloso, inexato, atabalhoado, do qual não angariavam perspectivas ou aspirações. No contexto de transição é que surgiram as vaguardas: sabe-se que geralmente os períodos de transição de séculos (no caso, do XIX para o XX) representam instabilidade, frustrações e incertezas, sobretudo em se tratando de uma sociedade ainda imersa em religiosidade, misticismo...(em suma, acreditava-se no fim dos tempos). Nesse contexto, surgiram os movimentos expressionista, futurista, cubista, dadaista e surrealista, cujos princípios pautavam-se na incerteza quanto ao futuro e no ímpeto de ruptura com o passado. Ojerizava-se efusivamente o academicismo vigente, execrava-se o clássico, o tradicional. Marcava presença também a dicotomia nas obras de arte que, ora possuíam nitidamente caráter crítico à realidade, ora desprendiam-se de qualquer pretensão dessa natureza, sendo hermeticamente "l'art pour l'art"(ou seja, a arte como a medida e a justificativa de todas as coisas). Os vanguardistas, notoriamente influenciados pelo contexto sócio-político que os circundava, envolviam-se com as inovações tecnológicas, fruto do desenvolvimento do capitalismo, com as promessas marxistas que lhes alimentavam esperanças de um mundo mais justo. A expansão do imperialismo e a disputa por novos mercados consumidores, junto do excesso de produtividade dos países mais industrializados - e, claro, da competitividade entre eles - conduziam o mundo para a primeira grande guerra, que dizimou contingente extenuante de pessoas.
Foi em meio a esse contexto que os artistas de vanguarda produziam obras que prenunciavam a aurora de uma nova forma de se fazer arte e de se entender por arte. Foi definitivamente o rompimento entre o academicismo e o modernismo.
Angelus novus é uma nomenclatura que pode ser entendida em termos atemporais (uma vez que, como foi dito, os anjos não têm idade), sendo que o termo concerne ao novo perfil de um anjo, perfil este que foge aos estereótipos convencionais (por ser retratado de forma desfigurada e escalafobética). Este anjo desmistifica e refuta o status de perfeição imanente a esses seres, distorcendo essa imagem e "humanizando" o anjo, fazendo com que perpassem as fraquezas, medos e incertezas humanos. Transparece pela obra o desespero e a ausência de perspectivas em relação ao futuro, bem como o desejo de afastar-se deste, que em sucção sorve-o para si. É evidente a tentativa de evasão, o desejo de regressar ao passado, como sinal de medo do futuro incerto que o espera. O anjo não consegue, contudo, vencer a tempestade. Seus poderes não lhe são suficientes e o anjo torna-se impotente e estupefato diante daquilo que desconhece e sobre o qual não pode influir.
Na Europa não houve uma arte moderna uniforme. Houve, sim, um conjunto de tendências artísticas com propostas específicas intituladas correntes de vanguardas.
A palavra vanguarda significa do francês “avant-garde”, o que marcha na frente. Como se tivessem “antenas” que captassem as tendências do futuro, as vanguardas acreditam perceber, ou compreender, antes de tudo, aquilo que mais tarde será o senso comum.
O interessante é que o Cubismo, Futurismo, Expressionismo, Impressionismo, Dadaísmo e Surrealismo, mesmo que apresentassem propostas distintas, elas se aproximavam em certos traços, como o sentimento de liberdade criadora, o desejo de romper com o passado, a expressão da subjetividade e certo irracionalismo.
Para Walter Benjamim O quadro Ângelus Novus representa um anjo que se prepara para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da História deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de fatos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma única catástrofe, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e as lança aos pés.
Parece que “ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos de progresso."
Ao final do século XIX, o mundo, em especial a Europa, conheceu um grande avanço científico e tecnológico, a ciência realizou grandes avanços que possibilitaram à indústria se expandir e lançar invenções que revolucionariam radicalmente o mundo. Entre eles, pode-se citar, por exemplo, o rádio, o automóvel, o cinema, o telégrafo e o aeroplano. Além destes, já se dominava a eletricidade, enquanto que as locomotivas e os barcos a vapor faziam o transporte de produtos e pessoas. É o início da era da velocidade, da pressa e da imagem. As conquistas e inventos davam ao homem a doce ilusão de que ela já havia enfrentado seus grandes problemas e que agora seria o momento do desfrute.
Os artistas, acompanhando as mudanças sociais, econômicas, políticas, culturais e filosóficas do mundo, passaram a desejar novas expressões artísticas, o que culminou no aparecimento de novos movimentos.
Tais movimentos ficaram conhecidos como vanguardas européias, que, de modo geral, representaram uma crítica às opressões causadas ao homem pela civilização industrial. Por outro lado, procuraram acompanhar a mudança do mundo trazendo para as manifestações artísticas a agitação da vida moderna, além de proclamar a necessidade de a arte tratar de temas modernos e não ficar preso ao passado. As vanguardas se caracterizam pelo desejo de destruição do passado e pela visão crítica do presente.Vários desses movimentos de vanguarda apareceram, dos quais cinco se destacam: futurismo, expressionismo, cubismo, dadaísmo e surrealismo.
Para Walter Banjamin, o quadro “Angelus Novus” (1910) de Paul Klee nos remete a um anjo que lança um olhar desesperado diante dos avanços tecnológicos e dos acontecimentos do início do século XX. Esse olhar remete ao desespero dos artistas dessa época que ficaram atordoados frente à modernidade e passaram a ficar voltados para o passado, deixando de lado o futuro. Por isso W. Benjamim chama o progresso de “tempestade“, pois, para ele, todos os avanços desencadeavam uma catástrofe, apontavam o futuro para o qual o ‘’anjo” dá as costas e se torna impotente.
Ao final do século XIX, o mundo, em especial a Europa, conheceu um grande avanço científico e tecnológico, a ciência realizou grandes avanços que possibilitaram à indústria se expandir e lançar invenções que revolucionariam radicalmente o mundo. Entre eles, pode-se citar, por exemplo, o rádio, o automóvel, o cinema, o telégrafo e o aeroplano. Além destes, já se dominava a eletricidade, enquanto que as locomotivas e os barcos a vapor faziam o transporte de produtos e pessoas. É o início da era da velocidade, da pressa e da imagem. As conquistas e inventos davam ao homem a doce ilusão de que ela já havia enfrentado seus grandes problemas e que agora seria o momento do desfrute.
Os artistas, acompanhando as mudanças sociais, econômicas, políticas, culturais e filosóficas do mundo, passaram a desejar novas expressões artísticas, o que culminou no aparecimento de novos movimentos.
Tais movimentos ficaram conhecidos como vanguardas européias, que, de modo geral, representaram uma crítica às opressões causadas ao homem pela civilização industrial. Por outro lado, procuraram acompanhar a mudança do mundo trazendo para as manifestações artísticas a agitação da vida moderna, além de proclamar a necessidade de a arte tratar de temas modernos e não ficar preso ao passado. As vanguardas se caracterizam pelo desejo de destruição do passado e pela visão crítica do presente.Vários desses movimentos de vanguarda apareceram, dos quais cinco se destacam: futurismo, expressionismo, cubismo, dadaísmo e surrealismo.
Para Walter Banjamin, o quadro “Angelus Novus” (1910) de Paul Klee nos remete a um anjo que lança um olhar desesperado diante dos avanços tecnológicos e dos acontecimentos do início do século XX. Esse olhar remete ao desespero dos artistas dessa época que ficaram atordoados frente à modernidade e passaram a ficar voltados para o passado, deixando de lado o futuro. Por isso W. Benjamim chama o progresso de “tempestade“, pois, para ele, todos os avanços desencadeavam uma catástrofe, apontavam o futuro para o qual o "anjo" dá as costas e se torna impotente.
Desde o final do século XIX a arte passava por profundas rupturas e modificações. Os modelos que vinham sendo valorizados desde a época do Renascimento Italiano pelas academias começavam a ser realmente questionados. Os artistas, acompanhando as mudanças sociais, econômicas, políticas e filosóficas do mundo, passavam a desejar novas expressões artísticas. Em meio a essas transformações surgiram várias manifestações, destacando-se o Impressionismo, Expressionismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo e o Surrealismo.
Os movimentos europeus de vanguarda guiavam a cultura de seu tempo, estando, de certa forma, à frente dele. As transformações tecnológicas que o mundo passou na virada deste século modificaram as maneiras de o homem perceber a realidade. O automóvel, o avião, o cinema, por exemplo, deslocaram e aceleraram o olhar do homem moderno, que não deveria mais prender-se ao passado.
O quadro de Paul Klee, segundo Walter Benjamim, retrata a figura de anjo que foge de qualquer representação habitual das figuras angelicais. Ele está boquiaberto, assustado, com os olhos voltados ao passado, que para ele representa uma grande catástrofe. “O anjo bem que gostaria de se deter, despertar os mortos e recompor o que foi feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso e se prende em suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar. A tempestade irresistivelmente o impele ao futuro, para o qual ele dá as costas, enquanto o monte de escombros cresce até o céu diante dele. O que chamamos de Progresso é esta tempestade." A paralisia do anjo é oriunda de sua desilusão perante o progresso. Seus olhos estão voltados para o passado, para o qual ele tenta voltar mas é impedido. Então, é condenado a assistir inerte as transformações sofridas pelo mundo.
Analisando as associações entre as vanguardas européias e o quadro de Paul Klee, posso afirmar, subjetivamente, que as impressões passadas pelo “Angelus Novus” condizem com os sentimentos de vários artistas do período, pois nem todos caminhavam juntos em direção ao mesmo sentido. A arte nunca foi homogênea. O que representa o novo, o progresso para uns, para outros significa mais uma ilusão, mais uma tentativa de inovação.
O Século XX, sem dúvida, foi uma época de profundas transformações em todas as esferas da experiência humana e os artistas não podiam manter-se alheios a essas mudanças, o que em parte justifica a profusão de movimentos e ideais artísticos que nele surgiram. Isso fez com que os artistas ficassem mais sensíveis às mudanças. Com a modernidade, vieram as descobertas e as grandes invenções e isso dava ao homem a ilusão de que ele já teria solucionado todos os seus problemas, restando só a oportunidade de desfrutar de suas melhorias de vida. Muitos artistas se sentiram oprimidos pela chamada Era da velocidade, da pressa e da imagem.
As vanguardas européias surgiram para afirmar ou negar essas muitas mudanças e rupturas que estavam acontecendo no mundo. Questionadoras, elas se caracterizavam pelo desejo de destruir o passado e de ver o presente com olhos muito críticos. Os movimentos de vanguarda que se destacam são: futurismo, expressionismo, cubismo, dadaísmo e surrealismo.
Tem-se a idéia de que os anjos são serenos, mas, no quadro “Angelus Novus”, o anjo retratado por Paul Klee tem sua face distorcida, seus olhos arregalados e seu formato, em geral, é diferente do que se costuma imaginar sobre um anjo. Segundo Walter Benjamim, Klee quis mostrar como as crescentes mudanças do mundo assustavam as pessoas. Se assustavam até um anjo, que é tradicionalmente uma figura calma, imagina o que elas não fazem com os seres humanos normais. Esse anjo pode ser uma representação dos artistas da época, atônicos, pois mesmo contra vontade, com medo do que possa vir, a engrenagem do progresso os leva ao futuro.
Vanguarda é o nome que se dá ao conjunto de tendências que, numa determinada época, se opõem às tendências vigentes, principalmente no campo das artes.
As manifestações artísticas do período como o Futurismo,Cubismo,Expressionismo, Dadaísmo e Surrealismo,surgiram em torno da 1º Guerra Mundial, compreendendo o período que a antecedeu e o período que a sucedeu - quando então o mundo já se preparava para a 2º Grande Guerra.Com esses acontecimentos, o mundo começa a passar por diversas tranformações tenológicas, modificando o modo de pensar e agir do homem. Pode-se citar o rádio, o automóvel, o cinema, o telégrafo e o aeroplano. Além destes, já se dominava a eletricidade, enquanto que as locomotivas e os barcos a vapor faziam o transporte de produtos e pessoas muito mais rápido que as velhas carruagens ou caravelas. É o início da era da velocidade, da pressa e da imagem.
O quadro "Ângelus Novus" (anjo novo)transmite a idéia do olhar de um anjo, assustado, acuado e fugitivo. Walter Benjamin acredita que essa seria a face dos artistas da época perante o recém desenvolvimento, não familiarizados com o avanço da modernidade sofrido. O anjo, criatura divina, com a tempestade do progresso não pode mais lutar e proteger, que é sua função, pois o que ocorre é vontade de Deus.O Novo seria os artistas, que não voam no mesmo vento do progresso, presos a um passado contestado e criticado pelos vanguardistas.
A origem as vanguardas européias está intimamente ligado ao movimento de ruptura iniciado no século XIV, pelos impressionistas, pós-impressionistas e até mesmo os realistas, que ajudaram para que essas vanguardas florescessem, pois já acreditavam que arte devia seguir o mundo e o mundo estava em constante evolução. Também foi no final deste mesmo século que o mundo passou por um grande avanço tecnológico e por vários movimentos sócio-políticos. Paris e Viena tornavam-se os centros culturais por excelência e, neste sentido, núcleos da Belle Époque. E foi nessa efervescência que surgiram as vanguardas que começaram a discutir o caos e o frenesi desse inicio de século XX, que criticava as opressões causadas pela sociedade industrial, mas ao mesmo tempo buscava acompanhar as mudanças do mundo, trazendo para o meio artístico a agitação do cotidiano e necessidade de tratar de temas modernos.
O termo “avant-garde” (que significa está a frente), foi empregado pelos artistas dessa época para nomear o movimento que estava emergindo.Eles proclamavam a liberdade para a criação de um novo estilo ou até mesmo mudar o mundo com sua arte, por isso muitos dos movimentos assumiram um caráter político e acreditavam em ser a verdade absoluta e utilizavam-se do meio artístico para propagar seus ideais.
Paul Klee em seu quadro “Ângelus Novus”, mostra um anjo bem diferente do que os cristãos têm. O anjo possui um olhar assustado, a boca aberta e asas também.Com base no comentário de Paul Benjamim, o anjo da história deve ser representado assim, com o olhar no passado. Para ele a cadeia de fatos que passam por nós é uma catástrofe, que não cessa a amontoado de ruínas aos nossos pés, ele gostaria de poder ressuscitar os mortos e reconstruir tudo aquilo que foi destruído, mas não pode pois um vendaval sopra do céu, por isso o anjo não, consegue fechar as asas, esse vento sopra para o futuro e o amontoado de ruínas cresce cada vez mais até chegar ao paraíso e aquilo que nós consideramos progresso para ele é o vendaval.
Chamamos de vanguarda os movimentos de arte moderna surgidos entre o final do século XIX e o início do século XX em vários países da Europa.
O termo vanguarda vem do francês: “avant-garde”,que significa o que marcha na frente.Esses grupos apresentaram práticas e propostas inovadoras para a arte.Como se tivessem “antenas” capazes de captar as tendências do futuro e compreender antes de todos o aquilo que mais tarde seria o senso comum.Suas ações,tão inovadoras que chegam a ser incompreendidas tinham como meta tornar o futuro cada vez mais próximo do presente.
Provenientes de diversos países, as vanguardas tinham propostas específicas,embora as aproximassem certos traços como o sentimento de liberdade criadora,o desejo de romper com o passado,a expressão da subjetividade e certo irracionalismo.Essas tendências surgem numa época em que a Europa e o mundo passam por transformações profundas,principalmente no tocante ao avanço da ciência.Tais transformações provocaram uma reflexão: poderia a arte ficar estática em um mundo cada vez mais dinâmico?. Foi justamente esse desejo de libertar a arte dessa inércia que moveu as vanguardas.
Paul Klee, por meio da obra Ângelus Novus retrata o espanto causado por tais transformações.A figura arquetípica do anjo sereno,envolto em docilidade é substituída pela expressão assustada de um anjo que parece ora olhar para o passado,ora olhar para o presente espantado.
Segundo Walter Benjamin a metáfora é clara: o quadro representa a condição do próprio artista depois que a utopia modernista perdeu a inocência.O pintor parece querer mostrar que se a situação é tão espantosa ao ponto de assustar um anjo qual impacto ela teria diante de meros mortais.
O período entre o final do século XIX e início do século XX foi marcado por inúmeras transformações. O advento das máquinas, as novas relações de trabalho e de consumo provenientes do capitalismo industrial, o proletariado, o individualismo, o marxismo, a psicanálise de Freud – o subjetivismo através do inconsciente –, as guerras, a expansão da comunicação, enfim, a inédita transformação da sociedade global em seus aspectos mais diversos: cultural, sócio-econômico, político, humano, científico e tecnológico. Em meio a essa miscelânea de acontecimentos, as vanguardas européias se desenvolveram, atingiram o seu ápice e algumas se perderam por conta de sua ideologia, como o surrealismo, que se limitou a “jogar” no papel, ou em outros materiais, fragmentos de sonhos (inconsciente), tão logo, sem significados certos e pretensões maiores. Surrealismo, dadaísmo, expressionismo, cubismo, futurismo, etc., as vanguardas foram movimentos artísticos que pretendiam exterminar o passado (ultrapassado), destruir o academicismo; criticar a sociedade industrializada, e incorporar à vida e às artes as novidades, as facilidades da nova era.
Os olhos do “Angelus Novus” de Paul Klee apontam arregalados para a esquerda, para o passado. Walter Benjamim disse que ele deve ser igual ao anjo da história. Assim, acredito que essa denominação tenha sido feita por se tratar de um personagem conhecido como aquele que guia, acompanha e protege as atividades de um mundo (que até então havia se mantido “estático”, com suas raízes fincadas na antiguidade); esse mundo se constituía como história. O anjo, então, aparece pasmo e atordoado por ver o desmoronamento das escolas, dos artistas, das obras, das concepções pertencentes ao tradicionalismo dos séculos passados e que ele protegia. A velocidade e o rigor com que a modernidade, figurada como uma energética tempestade, se lança diante dele o deixa assustado, pois não é o que ele esperava. Nesse instante, qualquer tentativa de proteger, agarrar o passado e não deixá-lo se esvair é em vão: a tempestade– novo desejo de Deus que mantém os seus braços abertos–, já foi feita futuro. Porém, a idéia de ser Deus o “dono” do futuro vai de encontro ao pensamento nada teológico das vanguardas. Entretanto, duas das características mais marcantes do modernismo são a ambigüidade e a ironia, que podem ser, de certo ponto de vista, identificadas no comentário de Benjamim.
O contexto histórico, econômico, político e social da Europa no período entre guerras propiciou na arte, um questionamento e uma necessidade de expressar o que se sentia verdadeiramente. Por isso surgiram as vanguardas. Os artistas destes grupos compartilhavam uma ideologia e manifestavam-se conforme as mesmas. Alguns deles representavam ideais de ruptura com o passado e exaltação da modernidade ou podiam externar o incômodo em relação às mudanças ocorridas naquele cenário de evolução. Os principais grupos intitulavam-se como: Surrealistas (procuravam fundir a imaginação, que dorme no inconsciente, com a razão), Cubistas (buscavam a reprodução do mundo de uma maneira transformada, decompondo-o em figuras geométricas), Expressionistas (tiveram como herança cultural o impressionismo e apresentavam uma textura dramática e subjetiva, “expressando” sentimentos humanos), Dadaístas (tentavam desprender-se de normas pré-estabelecidas buscando assim a liberdade na forma), Futuristas (abominavam o passado e prezavam tudo que envolvesse velocidade e evolução). Todos estes grupos influenciaram a sociedade da época e dos dias de hoje, pois a proposta era a não aceitação dos parâmetros impostos, concebendo assim inovações, ou ao menos as concepções que lhes eram plausíveis.
O significado do quadro “Angelus Novus” de Paul Klee, para Walter Benjamim é de total concordância com as propostas das vanguardas. Para o crítico, o anjo é um “novo ser” no sentido de “renovação”, podendo a partir de agora atuar por si próprio (e não mais conforme os desígnios divinos). O que motivou esta mudança na postura do anjo, foi uma tempestade chamada “Progresso”. Assim ocorreu no período de formação das vanguardas, já que as mudanças vieram e houve respostas reacionárias a estas novas realidades(com certeza) impulsionadas por este contexto de transformações.
Vanguarda é o nome que se dá à oposição feita ao conjunto de tendências vigente na sua época. As vanguardas européias romperam com o padrão de arte tido pela sociedade do século XIX. Artisticamente, o termo “vanguarda” indica aquele que prevê novos tempos. Expressionismo, Futurismo, Dadaísmo, Cubismo e Surrealismo foram correntes que surgiram para contestar e questionar as grandes mudanças que estavam acontecendo no mundo. Todas as inovações tecnológicas desse século influenciaram na vida dos artistas: o avião, o automóvel, a expansão da comunicação e da ciência, dentre outros. Rejeitava-se o clássico, o tradicional, e trata-se de um momento em que a arte tornou-se livre de interferências senão a do próprio autor, em que este desejava destruir o passado e sugeria o original e o avançado.
Para Walter Benjamin, o quadro "Angelus Novus", de Paul Klee, representa próprio artista modernista e a perda de sua inocência. Os criadores, perturbados, “já não gozam do privilégio de se fundirem com a fonte única de todo poder, de toda vontade e de toda justiça. Não estão mais voltados para o infinito radiante do futuro e sim para a tragédia impronunciável do passado”.
O anjo pode estar atônito frente ao novo que se manifesta após a modernidade. Esse “novo” representa a mudança de perspectiva desses criadores, que, intimidados pela chamada Era da Velocidade, da Pressa e da Imagem, já não seguem mais a mesma direção.
Vanguarda é o nome que se dá à oposição feita ao conjunto de tendências vigente na sua época. As vanguardas européias romperam com o padrão de arte tido pela sociedade do século XIX. Artisticamente, o termo “vanguarda” indica aquele que prevê novos tempos. Expressionismo, Futurismo, Dadaísmo, Cubismo e Surrealismo foram correntes que surgiram para contestar e questionar as grandes mudanças que estavam acontecendo no mundo. Todas as inovações tecnológicas desse século influenciaram na vida dos artistas: o avião, o automóvel, a expansão da comunicação e da ciência, dentre outros. Rejeitava-se o clássico, o tradicional, e trata-se de um momento em que a arte tornou-se livre de interferências senão a do próprio autor, em que este desejava destruir o passado e sugeria o original e o avançado.
Para Walter Benjamin, o quadro "Angelus Novus", de Paul Klee, representa próprio artista modernista e a perda de sua inocência. Os criadores, perturbados, “já não gozam do privilégio de se fundirem com a fonte única de todo poder, de toda vontade e de toda justiça. Não estão mais voltados para o infinito radiante do futuro e sim para a tragédia impronunciável do passado”.
O anjo pode estar atônito frente ao novo que se manifesta após a modernidade. Esse “novo” representa a mudança de perspectiva desses criadores, que, intimidados pela chamada Era da Velocidade, da Pressa e da Imagem, já não seguem mais a mesma direção.
As vanguardas européias foram movimentos que pregavam o avanço e o progresso das artes acompanhando o progresso da sociedade européia, econômica e socialmente. O termo vanguarda é oriundo do francês "avant garde" que traduzido para o português significa "guarda avante", esse nome era dado ao primeiro pelotão de um exército nas batalhas que tinham a função de abrir caminho para os outros pelotões, sendo assim, a própria origem da palavra torna o nome do movimento auto-explicativo.
O quadro de Paul Klee, representa esse movimento tanto em questão de técnicas, como em questão de simbolismo e significado, pois a imagem do anjo paralisado como disse Walter Benjamim nos leva a refletir sobre o momento vivido naquela época no âmbito artístico.
Essa imagem nos mostra como ficaram os adeptos dos movimentos de vanguarda devido às divergências de idéias entre eles, mesmo com um ideal central semelhante, e o chama de novo porque um anjo segue apenas o que é da vontade divina. Figurativamente a vontade divina seria a vontade (ou as vontades) da maioria da população européia que não estava acostumada com essas mudanças tão repentinas, portanto ainda as negavam. Mas ainda assim o semblante do anjo representa um certo espanto com o mundo maravilhoso que tantas pessoas, muitas delas responsáveis por todo o progresso, se referiam com tanto prazer mas olhando para o passado, tantas máquinas e tanta velocidade (seja do progresso, seja dos meios de vivência) não eram tão incríveis assim.
Na Europa, no final do seculo XIX e inicio do seculo XX, surgiram varios movimentos artisticos que se entitularam vanguardas, que significa "Guarda avante", exatamente por estarem `a frente do seu tempo. As ideias dos artistas e consecutivamente as que eles queriam transmitir atraves de suas obras eram mais evoluidas do que o que era vivido nessa epoca.
Grande parte da populacao se sentiu atraida pela ideia do novo e se identificou com o espirito revolucionario. Ja outra parte das pessoas se manteve afastada das mesmas, pelo fato de serem de certo modo ceticas em relacao a essas ideias avancadas.
Entretanto, esses movimentos nao ocorreram de forma uniforme. Houve varios vieis que pregavam ideias diferentes. Assim surgiram diferentes grupos como os surrealistas, os impressionistas, os cubistas, entre outros.
Os artistas tendiam a ter uma percepcao mais sensiveis dos acontecimentos ocorridos e as consequencias dos fatos no futuro. Utilizando dessa sensibilidade que eles passavam atraves de suas obras de arte seus pensamentos para a populacao.
Assim que o artista Paul Klee expressou em sua obra a ideia de ruptura com o tradicional e de espanto com a situacao em que o mundo se encontrava.
Representando o anjo de uma forma nao convencional, o pintor mostrou o desejo de mudar o estereotipo estabelecido, ou seja, nao pintar um anjo bonito, que fosse feito para agradar aos olhos do observador e sim da maneira que ele imaginava essa figura. Ainda pode-se observar que atraves da expressao facial do "Angelus Novus", Klee representa o espanto e a atonicidade das pessoas em relacao a realidade do mundo. A populacao, ou parte dela, estava assustada com o rumo que o mundo estava tomando e preocupada com o futuro; todavia estava estatica, sem fazer nada para mudar esse futuro incerto.
THAISA DANIEL:
Em se tratando das vanguardas européias, pode-se notar uma ruptura com o padrão de arte e sociedade do século XIX.
Essa ruptura foi percebida com diversas transformações- principalmente no campo da tecnologia- pelas quais o mundo passou na virada do século e que modificaram as maneiras de o homem perceber a realidade. O automóvel, o avião, o cinema deslocaram e aceleraram o olhar do homem moderno. Em meio a essas transformações surgem várias manifestações artísticas – impressionismo, Expressionismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo -, que ficariam conhecidas como “correntes de vanguarda”, que, conjugadas, dariam origem ao Modernismo.
O mundo em constante mudança causou impacto e também não foi aceito de imediato . Pelo contrário, as mentes ainda estavam atreladas aos pensamentos do passado e por isso, tornou-se dificil de concretizar as mudanças planejadas . Como no quadro0 "Angelus Novus" de Paul Klee(1910) no qual há uma nitica ruptura com o estereótipo de um anjo de olhos claros, corpo robusto e simétrico e rosto transmitindo tranquilidade e pureza.
Isto é, o anjo aparece desforme, com formas assimetricas e um corpo atipico para a imagem que se faz.
Walter Benjamim coloca a figura do anjo disforme como sendo os desejos de se recuar em frente ao progresso("Eles já não voam na mesma direção do vento do progresso"), ou seja, Benjamim consegui expor a frustração e os anseios diante à nova estrutura do mundo moderno, e tudo isso apenas em analise ao anjo novo, o anjo que quer dar as costas para as novas linhas de raciocinio e que quer continuar "costurado" nos conceitos do passado haja vista a comodidade e o medo do progresso se converter em algo destrutivo para a sociedade.
As transformações tecnológicas pelas quais o mundo passou na virada do século passado modificaram as maneiras de o homem perceber a realidade. O automóvel, o avião, o cinema deslocaram e aceleraram o olhar do homem moderno. Em meio a essas transformações surgem várias manifestações artísticas – Impressionismo, Expressionismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo -, que ficariam conhecidas como “correntes de vanguarda” e que conjugadas, dariam origem ao Modernismo.
Nas primeiras décadas do século XX, as vanguardas européias foram um desafio ou uma negação dos valores culturais. Desdobraram-se em manifestações, adaptadas às práticas locais, num movimento amplo que acabou por desempenhar o papel de imagem da cultura no século XX. Tal cultura estabeleceu uma espécie de tensão com as formas de arte até ali aceitas como representantes da tradição.
Para Walter Benjamim, o quadro "Angelus Novus" de Paul Klee representa basicamente tudo o que as vanguardas européias transmitiam. Uma busca pelo novo, pelo futuro, por mudanças, sendo tudo isso inevitável. O anjo, paralisado, atônito, mostra o quanto eram inevitáveis essas mudanças.
O desenvolvimento das vanguardas européias do Século 20 está intimamente relacionado com os artistas da geração anterior, que abriram caminho para as gerações seguintes.
Os Impressionistas, os Pós-Impressionistas e até mesmo os Realistas foram os verdadeiros pioneiros das transformações artísticas que marcariam a arte moderna.
Os artistas, acompanhando as mudanças sociais, econômicas, políticas e filosóficas do mundo, passavam a desejar novas expressões artísticas.
Um dado curioso dos movimentos vanguardistas do Século 20 é o fato de normalmente terem origem em idéias filosóficas.
Estas idéias podem receber, a princípio, expressão na literatura e poesia, para posteriormente passar às artes plásticas, como é o caso mais específico do Surrealismo e do Futurismo.
As vanguardas européias foram movimentos que aceitaram ou rejeitaram a modernidade e seus efeitos sobre a sociedade, provocando rupturas com a técnica.
Além disso, a popularidade entre os artistas das teorias, que justificavam a arte, também foi grande, como as obras extremamente lidas e comentadas entre os círculos vanguardistas da época: "Do espiritual na Arte", de Kandinsky (1912) e "Abstração e Sentimento" (1908) de Wilhelm Worringer.
Em muito ajudou a formação de grupos que, normalmente. estava relacionada à necessidade de sobrevivência material e a facilidade de transmissão de idéias, uma vez que, apesar de aparentemente expressarem os mesmo ideais, eram constituídos por personalidades e estilos pessoais bastante fortes e distintos.
Para Walter Benjamim, o anjo representado no quadro “Ângelus Novus” se mostra impotente perante o futuro e a modernidade, que são inevitáveis, o que é representado no quadro a partir da expressão assustada do anjo, assim como a falta de movimento de suas asas. Sendo assim, o quadro representa os ideais das vanguardas.
Do fim do século XIX ao início do XX, desenvolveu-se na Europa um questionamento freqüente ao “já feito”, “já construído”, ao existente. Justamente no período da Revolução Industrial, uma revisão dos valores impostos pelos renascentistas italianos estava em curso - um movimento artístico nunca pode dissocia-se do momento histórico em questão, já que, as ocorrências do período influenciam as obras, em atenção às vanguardas onde a mentalidade da época estava em profunda transformação -.
Vanguarda significa o que está à frente, um movimento que proponha uma nova visão da arte que opõe –se às tendências vigentes, contudo, esse termo é comumente associado aos movimentos pós-impressionistas e anterior à pós-modernidade.
Influenciados por Cézanne – objetividade na forma de encarar o mundo-, o indivíduo ou grupo vanguardista era comumente associado às reformas sociais, pois, trabalhavam muito com a idéia de partidos políticos eram preocupados com as reformas sociais; com o tempo essas vanguardas passaram a preocupar-se mais com a experimentação estética do que com o que esse “experimento” poderia causar ou acrescentar à sociedade.
As vanguardas européias são objetos de estudos e interpretações dos mais variados, além de serem de rica inteligência e coragem as obras desses “feras” do século XX.
Paul Klee, em seu quadro “Ângelus Novus”, em uma interpretação de Walter Benjamim, representa esse “artista vanguardista”, ou a própria modernidade. O “anjo” olha, desesperado, para os escombros do passado, para “os mortos”, e os tenta resgatar só que é impedido por uma “tempestade do paraíso” e tende a sufocar seus anseios, já que, o vento que sopra é tal que o impede de mover suas assas. Esse “anjo” pode caracterizar-se, muito bem, como os resquícios de uma sociedade que vai de encontro com o progresso – a tempestade - e que tenta de todas as formas restaurar as instituições, as maneiras vigentes e procura ressuscitá-la impedindo que a modernidade floresça e a “nova”, a atual dinâmica desenvolva-se como de ser, como o paraíso – Deus - deseja; volta às costas para essa rajada e não se permite “ver” o benefício dessa nova empreitada alcançada pela humanidade, da qual os vanguardistas “inspiram-se”.
As Vanguardas Européias foram movimentos artísticos do final do século XIX e início do século XX. Inseridas num contexto de intensas transformações, retratam a nova forma do homem de “enxergar” o mundo.
Se caracterizaram pelo desejo de destruição do passado e pela visão crítica do presente. Vários desses movimentos de vanguarda apareceram, dos quais se destacam: futurismo, expressionismo, cubismo, dadaísmo e surrealismo.
Segundo Walter Benjamim no quadro "Ângelus Novus" vê-se um modelo de anjo completamente diferente daquele que se pensa, observando-se principalmente seus olhos arregalados em vez de um rosto sereno.
O "Ângelus Novus" está assustado com o mundo em sua volta. Com o caos que se instalou e é ele quem agora precisa de proteção.
As vanguardas européias surgem no final do século XIX objetivando uma ruptura com o atual entendimento do que é arte e qual sua utilidade para a sociedade pois entendiam que a arte como estava ja não se justificava não tinha sentido.
Um meio de quebrar com o antigo é, justamente, inserir na arte as mudanças ocorridas na sociedade, transformando-as em inspiração, tanto o industrial, dinamico quanto o humano, sentimento. Ora reflentindo o salto tecnologico ora a ferida que a guerra deixa não só fisica mas emocional.
Para Walter Benjamim o quadro "Angelus Novus" de Paul Klee, representa a perca da inocencia do ideal modernista, o novo se refere a mudança de perspectiva, do modo de enxergar passado e o futuro, suas intensões e ideais não se mantiveram foram freados por um banho de realidade pessimista
Vanguarda é o nome que se dá ao conjunto de tendências que, numa determinada época, se opõem às tendências vigentes, principalmente no campo das artes. Grande movimentação ocorreu na Europa do início do século XX, onde grande onda de inovação e cultura surgiu em detrimento das artes e costumes do século anterior.
Alguns exemplos de vanguardas podem ser destacadas como o Futurismo (considerado o precursor deste movimento), Cubismo (que teve em Picasso seu maior representante na pintura), Expressionismo (a cor forte e o traços exagerados são marcas desse momento em que a sensação é mais forte que a razão), Dadaísmo (propõe a distorção do ambiente e a linguagem improvisada) e o Surrealismo (enfatizava o papel do inconsciente na atividade criativa).
O quadro Ângelus Novus retrata a ruptura pregada pelos vanguardistas, onde a técnica é diferente da convencional e o tema (anjo) é retratado de outra maneira, longe da conhecida como angelical e perfeita. Segundo o autor do texto, não se deve haver dúvida, quanto ao sentido desta metáfora: o “Ângelus Novus” representa a própria condição do artista e do intelectual depois que o sonho modernista perdeu a sua inocência. A expressão “novo” justifica-se assim pela mudança de perspectiva desses criadores aturdidos. Disse também o autor que a pintura de Paul Klee não está voltada para os ideais modernistas, voltados para um lindo e radiante futuro mais sim para a tragédia impronunciável do passado. O autor do quadro não se deixava mais levar pelas falsas promessas, rduvindo-se assim aos seus limites e fraquezas, seu horror e sua fúria.
As vanguardas européias foram movimentos artísticos surgidos no final do século XIX e início do século XX, que propuseram uma nova visão da arte, se opondo as tendências que até então estavam em vigor.
Esses movimentos procuravam acompanhar as mudanças ocorridas no mundo ao seu redor, sendo influenciados pela agitação da vida moderna. Além disso, representavam uma crítica às opressões realizadas pela civilização industrial.
Em suma pode-se dizer que as vanguardas se caracterizaram pelo desejo de “destruição” do passado e pela visão crítica do presente.
No quadro "Ângelus Novus", Paul Klee deixa transparecer, através da figura do anjo, um misto de surpresa, receio e temor relacionados aos avanços e tranformações pelo qual o mundo estava passando.
Para Walter Benjamin esta obra simboliza a cincurstância em que o artista e o intelectual se encontravam depois que o ideal modernista perdeu sua inocência.
Além do espanto que estes avanços causariam nos humanos, já que "assombrou" até um anjo, cuja figura é tida como serena e tranquila.
As vanguardas européias foram movimentos artísticos e políticos (por serem compostos por manifestos, militância, etc) do fim do século XIX e início do século XX. Como o expressionismo, o cubismo, o futurismo, o dadaísmo, o concretismo e outros. Esses movimentos guiavam a cultura de seus tempos, sendo em grande parte influenciados pelas transformações tecnológicas, pelos ideais novos que reprovavam a idéia antiga e ultrapassada de monotonia e simplicidade. Como relata o texto, “as vanguardas artísticas do início do século (...) apostaram pesado na vitória da racionalidade, do maquinismo, da transformação da sociedade num gigantesco autômato auto-regulado, em que a arte, a técnica e a vida se fundiriam numa unidade revitalizadora”.
Para Benjamim, o anjo da história possui seu rosto voltado para o passado mas a tempestade irresistivelmente o impele ao futuro, para o qual ele dá as costas. Sendo assim, ele é um anjo decaído e sua rebeldia o tornou impotente para auxiliar os vencidos, mortos e humilhados. Ou seja, diante de todos os novos recursos tecnológicos, o anjo nega a modernidade e assiste a tudo paralisado, sem poder agir e salvar o mundo, como condiz sua função religiosa. A expressão “novo” justifica-se assim pela mudança de perspectiva desses criadores aturdidos, que não estão mais voltados para o infinito radiante do futuro e sim para a tragédia impronunciável do passado.
O anjo representa a própria condição do artista e do intelectual depois que o sonho modernista perdeu a sua inocência. Ele volta seus olhos ao passado, apresentando um caráter assustador diante do futuro. Porém, seu desenho imprime uma imagem diferente do anjo calmo, sereno, feito com traços leves, cores claras e formas humanas da que possuímos em mente. É como se ele estivesse no ambiente moderno, com características vanguardistas, mas aprisionado ao que ocorreu no passado.
Em seu sentido literal, vanguarda (que vem do francês Avant Garde, "guarda avante") faz referência ao batalhão militar que precede as tropas em ataque durante uma batalha. Daí deduz-se que vanguarda é aquilo que "está à frente".
Desta dedução surge a definição adotada por uma série de movimentos artísticos e políticos do fim do século XIX e início do século XX. Os movimentos europeus de vanguarda eram aqueles que, segundo seus próprios autores, guiavam a cultura de seus tempos, estando de certa forma à frente deles. Muitos destes movimentos acabaram por assumir um comportamento próximo ao dos partidos políticos: possuíam militantes, lançavam manifestos e acreditavam que a verdade encontrava-se com eles.
O movimento contestava as modificações pelas quais o mundo estava passando e pretendiam “futurizar”, modernizar a arte e a sociedade. Foram as vanguardas: o Futurismo; que era contra os pensamentos das tradições das formatações estéticas, sintáticas e gramaticais. O movimento queria liberdade nas palavras não ter limites abusar da imaginação e outros. O Expressionismo, que buscava explicar de forma a por a realidade de maneira cruel e de forma exagerada deformando na vista comum do publico, mais buscando o que tem no interior. O Cubismo, surgido do futurismo, negou as características do clássico, sendo trabalhado em fragmentos metonímicos, produzindo montagens /colagens no qual as formas geométricas se sobressaíram. O Dadaísmo que procura “desprogramar” a arte de qualquer premeditação;mistura o pessimismo sarcástico de Voltaire com a ingenuidade de Rimbaud. E o Expressionismo que propõe que a arte tem que ser livre do inconsciente, do sonho, da fantasia sem nenhuma teoria, nem lógica teria de ser o não provável.
O anjo de Paul Klee representa ,para Walter Benjamim, uma maneira pessimista de encarar as mudanças, o moderno. Ele assiste, estático, à tempestade de alterações, sem ao menos poder agir contra isso. O anjo sabe que, por mais que visem a modernidade, a renovação, as mudanças idealizadas pelos movimentos vanguardistas estão fadadas à mesmice e depois passarão a ser antiquadas e um dia serão passado, como o tempo que ele gostaria de voltar, mas é arrastado por esse vendaval de novidades. O anjo teme a Deus e as mudanças que ele permite, então ele só pode ficar ali olhando, desesperado, o futuro mas com um sentimento de saudosismo pelo passado. O título “Angelus Novus” contradiz a realidade dos anjos, que são atemporais, mas o mundo é temporal e é isso que incomoda o anjo, ter que ser eterno e presenciar mudanças que, pra ele, são absurdas e assustadoras.
No final do século XIX e início do século XX, o mundo e, em especial, a Europa, viu-se abalado por uma série de problemas – de naturezas variadas. Os países começaram a formar uma idéia de corrida neocolonialista e as revoluções, de fundo principalmente social, pipocaram por todo mundo. Esse cenário de disputa ferrenha pelo poder e o forjamento de uma iniqüidade social moderna propiciaram o desenvolvimento dos conflitos mundiais subseqüentes.
A filosofia iluminista, que apoiou o projeto burguês de Revolução Industrial, prometia o esclarecimento, a racionalização, enfim, o alcance de uma sociedade que primaria pelo progresso e pela felicidade. No entanto, a realidade apresentava-se de forma bem contrária. O desgosto e a decepção em relação a essa civilização serviram de base para o trabalho de uma leva de artistas. Estes resolveram abandonar as linhas elegantes e harmoniosas que haviam predominado até essa época, defendendo tecnicamente padrões estéticos que poderiam identificar melhor esse período histórico.
Dentro desse contexto, surge Paul Klee, artista e professor da escola de arte e arquitetura Bauhaus. É reconhecido por negar a representação da realidade visível e buscar, através da ênfase sobre os elementos formais, a formação de um conceito e o estabelecimento das relações entre as artes do tempo – como a pintura – e as artes do espaço – como a música. Klee trabalhou de forma direta com conceitos como a “simultaneidade pluridimensional” e a negação da estética da separação entre as artes, proposta por Lessing.
Tais diretrizes estéticas estão claramente representadas na obra “Angelus Novus” (aquarela, 1920). Outro aspecto característico do artista e representado nessa obra é o movimento, a automovimentação, “movimento a partir do próprio ser”, como gostava de dizer. O anjo representado por ele, que evidentemente não é novo em idade, mas sim novo a partir da acepção moderna, foge às regras clássicas e transcende no seu objetivo de reproduzir o invisível.
É um trabalho tão bem realizado esteticamente ao ponto de virar “obsessão” para o crítico literário e ensaísta Walter Benjamin. As referências que W. Benjamin fez a essa obra substancialmente revelam a potencialidade desta como representação do progresso histórico. Os olhos arregalados e voltados para o passado – esquerda –, o aparente espanto que demonstra em relação ao que vê e o posicionamento, que pressupõe uma movimentação brusca, apresentam a realidade nua e crua de quem vivia nesse período. O artista, como parte dessa sociedade, vê-se claramente representado na obra: só e sem um destino certo.
Na minha opinião, Klee consegue com “Angelus Novus” transpor para o campo prático a teoria sustentada em uma de suas mais célebres afirmações: “A arte não reproduz o visível, mas torna visível”. Ele conseguiu tornar visível, na medida certa, o “clima” em que a obra em questão foi desenvolvida.
O texto abaixo de Gershom Scholem, filósofo, historiador e conhecido de W. Benjamin, transmite com eloqüência o conceito da obra “Angelus Novus”:
My wing is poised to beat
but I would gladly return home
were I to stay to the end of days
I would still be this forlorn.
-- “Greetings from Angelus"
P.S.: Gostaria de fazer um comentário à parte sobre a ausência de técnica citada no comentários de alguns. Klee é reconhecido, ainda hoje, pelo seu domínio extraordinário das cores e sua liderança em um movimento formal estrito que adotou uma posição revolucionária em relação à formação de conceitos a partir dos elementos formais. Com certeza, os elementos da pintura foram pensados minuciosamente antes da execução.
Livros interessantes sobre: Paul Klee. Sobre a arte moderna e outros ensaios. Jorge Zahar Editor. E o volume de Os Pensadores sobre Benjamin, Habermas, Horkheimer e Adorno.
Vanguarda, que vem do francês Avant Garde, "guarda avante", faz referência ao batalhão militar que precede as tropas em ataque durante uma batalha. Dessa definição, pode-se deduzir que vanguarda é aquilo que "está à frente".
Desejo de ruptura com modelos artísticos que não expressam o mundo dá vazão ao nascimento das vanguardas européias. A industrialização atinge níveis até então inusitados, mas as discrepâncias sociais e políticas se exacerbam, impulsionando a eclosão da I Guerra Mundial (1914-1918) e da Revolução Russa (1917). As artes sofrem profundas mudanças.
O cubismo tem seu ponto de partida na pintura por volta de 1907, com Pablo Picasso, mas seus procedimentos de fragmentação e geometrização de planos já existiam na poesia de Guillaume Apollinaire (Caligramas). O Futurismo é sintetizado pelo italiano Filippo Marinetti no Manifesto Futurista, de 1909. Nele, Marinetti afirma que a poesia deve exaltar a modernidade e o progresso, representado pela velocidade e pelas máquinas. Por sua apologia do militarismo, essa vanguarda passa a servir ao fascismo a partir de 1919. O dadaísmo foi criado pelo romeno Tristan Tzara. O Manifesto Dadaísta, de 1918, postula a liberdade total de criação e a abolição da lógica. No Manifesto Surrealista, de 1924, André Breton expõe as bases do surrealismo; entre elas a valorização do inconsciente e o automatismo verbal.
A visão de Walter Benjamim sobre o quadro “Ângelus Novus” de Paul Klee é a seguinte : o anjo, certamente sempre é representado de forma sutil, delicada, protetora, serena, e não como Klee os descreve, presença de olhos aregalados, a boca aberta, impotente para cuidar do homem diante da forte tempestade. Essas são as características que fogem ao clássico, ao ideal. É possível perceber que o “anjo novo” teme o futuro, teme o que vem depois do moderno. O progresso, suas maquinarias, a energia, o movimento inteiramente ligado ao futuro era novo e assustava a sociedade. Era tão desconhecido que até o anjo se renovava diante dessa situação, desse novo período vivido pela população européia.
Vanguarda, que vem do francês Avant Garde, "guarda avante", faz referência ao batalhão militar que precede as tropas em ataque durante uma batalha. Dessa definição, pode-se deduzir que vanguarda é aquilo que "está à frente".
Desejo de ruptura com modelos artísticos que não expressam o mundo dá vazão ao nascimento das vanguardas européias. A industrialização atinge níveis até então inusitados, mas as discrepâncias sociais e políticas se exacerbam, impulsionando a eclosão da I Guerra Mundial (1914-1918) e da Revolução Russa (1917). As artes sofrem profundas mudanças.
O cubismo tem seu ponto de partida na pintura por volta de 1907, com Pablo Picasso, mas seus procedimentos de fragmentação e geometrização de planos já existiam na poesia de Guillaume Apollinaire (Caligramas). O Futurismo é sintetizado pelo italiano Filippo Marinetti no Manifesto Futurista, de 1909. Nele, Marinetti afirma que a poesia deve exaltar a modernidade e o progresso, representado pela velocidade e pelas máquinas. Por sua apologia do militarismo, essa vanguarda passa a servir ao fascismo a partir de 1919. O dadaísmo foi criado pelo romeno Tristan Tzara. O Manifesto Dadaísta, de 1918, postula a liberdade total de criação e a abolição da lógica. No Manifesto Surrealista, de 1924, André Breton expõe as bases do surrealismo; entre elas a valorização do inconsciente e o automatismo verbal.
A visão de Walter Benjamim sobre o quadro “Ângelus Novus” de Paul Klee é a seguinte : o anjo, certamente sempre é representado de forma sutil, delicada, protetora, serena, e não como Klee os descreve, presença de olhos aregalados, a boca aberta, impotente para cuidar do homem diante da forte tempestade. Essas são as características que fogem ao clássico, ao ideal. É possível perceber que o “anjo novo” teme o futuro, teme o que vem depois do moderno. O progresso, suas maquinarias, a energia, o movimento inteiramente ligado ao futuro era novo e assustava a sociedade. Era tão desconhecido que até o anjo se renovava diante dessa situação, desse novo período vivido pela população européia.
Os movimentos europeus de vanguarda eram aqueles que, segundo seus próprios autores, guiavam a cultura de seus tempos, estando de certa forma à frente deles. A orientação filosófica desses movimentos vanguardistas europeus normalmente baseava-se na afirmação ou negação de determinados ideais e eram orientados normalmente por algum abalo político, econômico ou social. O "movimento" teve carater cientificista e não raro de denúncia.
A obra "Angelus Novus" de Klee, retrata o espanto diante do novo. O anjo aparece como uma figura acuada e de olhos arregalados ao que vê. O anjo pode ser lido como a caricatura da parcela da população européia que percebia que tanto avanço poderia trazer consequencias trágicas, ou ainda como um cidadão comum, não muito informado que sente o peso das transformações e fica inerte.
A Europa estava passando por mudanças cientificas e tecnológicas entre os séculos XVIII e XIX. O sentido da arte foi cada vez mais se modificando e saindo do padrão clássico, ao qual todos julgavam ser o certo, o bonito. Os Artistas dessa época começaram a se questionar e aos poucos foram mudando seus estilos.
Com tantas transformações da época, existiam muitas duvidas, incertezas. Os pintores e escritores passavam seus sentimentos através de suas obras. Para a maioria da sociedade da época, essas mudanças representaram um choque, pois passaram a ver coisas que não estavam acostumados.
As vanguardas européias antecipavam as novas tendências, por isso muitas vezes era difícil para um povo relativamente conservador aceitar o novo com rapidez.
O quadro de Paul Klee, segundo Walter Benjamim mostra um anjo diferente de todos que normalmente são apresentados. A figura de um Anjo representa conforto, algo que te protege, que te guia, que esta sempre ao seu lado. O quadro de Klee mostra um anjo com medo, assustado, desprotegido, ameaçado.No texto a autor diz : “O anjo bem que gostaria de se deter, despertar os mortos e recompor o que foi feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso e se prende em suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar’’.
Ou seja, a arte e mostrada por uma outra perspectiva. Isso era algo diferente, algo inovador q estava surgindo nas vanguardas daquela época.
A Europa estava passando por mudanças cientificas e tecnológicas entre os séculos XVIII e XIX. O sentido da arte foi cada vez mais se modificando e saindo do padrão clássico, ao qual todos julgavam ser o certo, o bonito. Os Artistas dessa época começaram a se questionar e aos poucos foram mudando seus estilos.
Com tantas transformações da época, existiam muitas duvidas, incertezas. Os pintores e escritores passavam seus sentimentos através de suas obras. Para a maioria da sociedade da época, essas mudanças representaram um choque, pois passaram a ver coisas que não estavam acostumados.
As vanguardas européias antecipavam as novas tendências, por isso muitas vezes era difícil para um povo relativamente conservador aceitar o novo com rapidez.
O quadro de Paul Klee, segundo Walter Benjamim mostra um anjo diferente de todos que normalmente são apresentados. A figura de um Anjo representa conforto, algo que te protege, que te guia, que esta sempre ao seu lado. O quadro de Klee mostra um anjo com medo, assustado, desprotegido, ameaçado.No texto a autor diz : “O anjo bem que gostaria de se deter, despertar os mortos e recompor o que foi feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso e se prende em suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar’’.
Ou seja, a arte e mostrada por uma outra perspectiva. Isso era algo diferente, algo inovador q estava surgindo nas vanguardas daquela época.
O que foram as vanguardas européias... Pela 37ª vez, professora ^^
As vanguardas européias foram basicamente os movimentos artísticos (e políticos também) do fim do século XIX e início do século XX que se opunham às tendências vigentes até então. A História da Arte vinha assistindo a profundas modificações e rupturas, e os modelos antes valorizados começavam a ser questionados. Os artistas acompanhavam as mudanças sociais, econômicas, políticas e filosóficas do mundo e passavam a desejar novas expressões artísticas. O mundo, em especial a Europa, passava por uma época de grande e repentino avanço científico e tecnológico. A ciência realizara grandes progressos que possibilitaram à indústria se expandir e lançar invenções que revolucionariam radicalmente o mundo (como o rádio, o automóvel, o telégrafo e outros). Ao mesmo tempo o mundo vivia um conturbado período de Guerra Mundial. Todo esse processo e transformações deram origem a várias manifestações artísticas, dentre elas principalmente os movimentos vanguardistas europeus, formados pelo Impressionismo, Expressionismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo. Esses movimentos ficaram conhecidos como “correntes de vanguarda” e posteriormente deram origem ao Modernismo.
Sobre o quadro “Angelus Novus”, de Paul Klee, a impressão que me causou foi a de se tratar de um anjo - meio engraçado, se é que posso dizer - subindo aos céus e olhando fixo para um ponto que vai ficando lá embaixo. Na minha imaginação leiga vi como se ele estivesse seguindo adiante, indo para um lugar melhor, mas deixando pra trás coisas as quais ele não conseguia evitar olhar, contemplar, mesmo que fosse pela última vez. É como se ainda estivesse preso àquilo e pesaroso de “subir” sozinho, largando tudo daquela maneira. Se é que a entendi bem, na versão muito mais coerente de Walter Benjamim (que é a que você quer saber, e não a minha!), ele encara como se uma tempestade impelisse o anjo para o futuro, “para cima”, para o que vem de agora em diante, mas ele não conseguisse desviar o olhar do que está ficando. A tempestade é a representação do progresso, que faz o anjo inevitavelmente seguir seu caminho rápido demais e não lhe deixa escolhas de voltar atrás. O que jaz “empilhado em escombros” são os seus valores, tudo aquilo em que acreditava e ao qual estava acostumado e que agora se via em pedaços. Assistir ao processo – e saber que fez parte dele – sem poder intervir é um castigo para o anjo. Ele se vê impotente devido ao fato de que o que se sucede é fruto da vontade de uma força muito maior que a dele. Este anjo, surpreendentemente chamado de “novo”, mudado, representa a própria condição do artista e do intelectual depois que o sonho modernista perdeu a sua inocência. As conquistas e inventos davam ao homem a doce ilusão de que ele já havia enfrentado seus grandes problemas e que agora seria o momento do desfrute, mas sabemos que não foi bem assim, e que não houve mais volta. Acho que é isso. Falei demais, nada de "basicamente", rs.
O que foram as vanguardas européias... Pela 37a vez, professora ^^
As vanguardas européias foram basicamente os movimentos artísticos (e políticos também) do fim do século XIX e início do século XX que se opunham às tendências vigentes até então. A História da Arte vinha assistindo a profundas modificações e rupturas, e os modelos antes valorizados começavam a ser questionados. Os artistas acompanhavam as mudanças sociais, econômicas, políticas e filosóficas do mundo e passavam a desejar novas expressões artísticas. O mundo, em especial a Europa, passava por uma época de grande e repentino avanço científico e tecnológico. A ciência realizara grandes progressos que possibilitaram à indústria se expandir e lançar invenções que revolucionariam radicalmente o mundo (como o rádio, o automóvel, o telégrafo e outros). Ao mesmo tempo o mundo vivia um conturbado período de Guerra Mundial. Todo esse processo e transformações deram origem a várias manifestações artísticas, dentre elas principalmente os movimentos vanguardistas europeus, formados pelo Impressionismo, Expressionismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo. Esses movimentos ficaram conhecidos como “correntes de vanguarda” e posteriormente deram origem ao Modernismo.
Sobre o quadro “Angelus Novus”, de Paul Klee, a impressão que me causou foi a de se tratar de um anjo - meio engraçado, se é que posso dizer - subindo aos céus e olhando fixo para um ponto que vai ficando lá embaixo. Na minha imaginação leiga vi como se ele estivesse seguindo adiante, indo para um lugar melhor, mas deixando pra trás coisas as quais ele não conseguia evitar olhar, contemplar, mesmo que fosse pela última vez. É como se ainda estivesse preso àquilo e pesaroso de “subir” sozinho, largando tudo daquela maneira. Se é que a entendi bem, na versão muito mais coerente de Walter Benjamim (que é a que você quer saber, e não a minha!), ele encara como se uma tempestade impelisse o anjo para o futuro, “para cima”, para o que vem de agora em diante, mas ele não conseguisse desviar o olhar do que está ficando. A tempestade é a representação do progresso, que faz o anjo inevitavelmente seguir seu caminho rápido demais e não lhe deixa escolhas de voltar atrás. O que jaz “empilhado em escombros” são os seus valores, tudo aquilo em que acreditava e ao qual estava acostumado e que agora se via em pedaços. Assistir ao processo – e saber que fez parte dele – sem poder intervir é um castigo para o anjo. Ele se vê impotente devido ao fato de que o que se sucede é fruto da vontade de uma força muito maior que a dele. Este anjo, surpreendentemente chamado de “novo”, mudado, representa a própria condição do artista e do intelectual depois que o sonho modernista perdeu a sua inocência. As conquistas e inventos davam ao homem a doce ilusão de que ele já havia enfrentado seus grandes problemas e que agora seria o momento do desfrute, mas sabemos que não foi bem assim, e que não houve mais volta. Acho que é isso. Falei demais, nada de "basicamente", rs
Os artistas, acompanhando as mudanças sociais, econômicas, políticas e filosóficas do mundo, passavam a desejar novas expressões artísticas. Esse novo olhar sobre a arte foi o marco do surgimento das vanguardas européias do século XX, movimentos que, de modo geral, representaram uma crítica às opressões causadas ao homem pela civilização industrial, mas que por outro lado, procuraram acompanhar a mudança do mundo trazendo para as manifestações artísticas a agitação da vida moderna, além de proclamar a necessidade de a arte tratar de temas modernos. As vanguardas se caracterizam pelo desejo de destruição do passado e pela visão crítica do presente.
O quadro de Paul Klee, "Angelus Novus", é uma exemplo claro dessa manifestação. A representação de um anjo diferente do imaginado choca. Um ser assustado que segundo a interpretação de Walter Benjamim, parece estar se afastando para longe daquilo a que está olhando fixamente, é a demonstração do novo, abolindo a idéia do velho, do tradicional.
A Europa estava passando por mudanças cientificas e tecnológicas entre os séculos XVIII e XIX. O sentido da arte foi cada vez mais se modificando e saindo do padrão clássico, ao qual todos julgavam ser o certo, o bonito. Os Artistas dessa época começaram a se questionar e aos poucos foram mudando seus estilos.
Com tantas transformações da época, existiam muitas duvidas, incertezas. Os pintores e escritores passavam seus sentimentos através de suas obras. Para a maioria da sociedade da época, essas mudanças representaram um choque, pois passaram a ver coisas que não estavam acostumados.
As vanguardas européias antecipavam as novas tendências, por isso muitas vezes era difícil para um povo relativamente conservador aceitar o novo com rapidez.
O quadro de Paul Klee, segundo Walter Benjamim mostra um anjo diferente de todos que normalmente são apresentados. A figura de um Anjo representa conforto, algo que te protege, que te guia, que esta sempre ao seu lado. O quadro de Klee mostra um anjo com medo, assustado, desprotegido, ameaçado.No texto a autor diz : “O anjo bem que gostaria de se deter, despertar os mortos e recompor o que foi feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso e se prende em suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar’’.
Ou seja, a arte e mostrada por uma outra perspectiva. Isso era algo diferente, algo inovador q estava surgindo nas vanguardas daquela época.
As vanguardas foram movimentos artísticos (e não só artísticos) maciçamente presentes na Europa da transição do século XIX para XX. As vanguardas no geral foram inovadoras de ruptura e abertura (ainda que temerosa) ao futuro.
Vários movimentos pregavam a idéia da destruição, da glória à guerra, da modernização e popularização da arte; muito mais que movimentos artísticos, as vanguardas foram movimentos políticos e sociais frutos de uma época em que o mundo estava mergulhado em guerras e passava por grandes avanços industriais e tecnológicos.
Os artistas de vanguarda costumavam ser bastante inconstantes passando por vários movimentos durante a carreira, o que reforça a idéia que esse foi um período de profundas descobertas e experimentação.
Havia o descontentamento com tudo que representava ou remetia ao passado, os vanguardistas propuseram uma nova arte, modernizada e melhorada para uma nova sociedade, que estava se formando naquele momento.
Angelus Novus, de Klee representa bem essa ruptura com o passado; o futuro é inevitável e inadiável, não há como se manter preso ao velho, é necessário abrir as asas ao progresso e é impossível rebelar-se diante desse vento impetuoso proveniente de uma força Divina e infinitamente maior à do anjo que empurra-o impiedosamente ao futuro desconhecido e ao qual ele, o anjo, havia virado as costas inutilmente.
As constantes transformações no ambiente europeu no final do século XIX provocaram várias manifestações. A literatura, a música e a arte foram bastante expressivas em relação ao caos que os conflitos econômicos e sociais geravam nesse período. Acontecia muita coisa ao mesmo tempo, e as transformações eram bruscas. A economia sofria muitos altos e baixos, fazendo, conseqüentemente, que o dia-a-dia das pessoas também fugisse da rotina. A globalização começava a despertar na Europa os novos ares da modernização, do seguimento de tendências, de ousadias e perspectivas futuras.
As vanguardas surgiram exatamente daí: muitos artistas ficaram transtornados com a situação, o que ocasionou o surgimento de vários grupos movidos por correntes de pensamento distintas. Alguns aceitavam facilmente a modernização, sendo que aproveitavam para ousar. Outros, porém, preferiam o clássico e "preservavam" a arte.
“Ângelus Novus”, de Paul Klee, é exatamente uma visão de como a arte também começou a participar dos processos de modernização. Para Walter Benjamim, a leitura do "anjo" é totalmente voltada às tendências não convencionais que a arte aderia. Toda a agonia e agressividade que estão presentes na figura também está relacionada a esses mesmos sentimentos que vinham dos artistas, por, às vezes, não aceitarem ou ficarem transtornados com a rápida mudança do meio artístico. Outro ponto curioso: Paul Klee projeta o anjo como uma figura assustadora, rude e com cores carregadas. É totalmente o contrário do que sempre se viu. Os "anjos comuns" eram retratados com cores suaves, asas delicadas e faces que remetiam à calmaria e à segurança.
Isso fez parte das vanguardas. Fez parte da globalização e do início da indústria cultural. A arte passa a ser tendência e material de consumo.
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